Ser mãe

Eu poderia escrever diversas coisas sobre mim, mas escolhi escrever sobre ser mãe.
Minha filha, Helena, foi planejada, sonhada, oramos por ela antes mesmo dela existir, mas e quando
veio o positivo?
Aquele positivo que a gente espera, mas quando aparece é um misto de sentimentos… é chorar
incontrolavelmente sem saber explicar qual sentimento grita mais alto nesse momento.
Os meses foram passando, o corpo se transformando, as opiniões chegando e sempre tem um (ou
vários) conselhos, como "aproveita pra dormir" e tantos outros "aproveitas" rs
Já na gestação você tem o peso da responsabilidade de cuidar, porque querendo ou não tudo que
você vive, come e sente, o bebê passa com você.
Chega próximo das 40 semanas e, no meu caso, eu não aguentava mais estar grávida rs. Queria
que ela nascesse logo, mas ao mesmo tempo o medo e a insegurança do parto (seja lá cesárea ou
normal) te deixam com certo medinho e dai você torce pra demorar mais um pouquinho, ou se
pudesse, em um piscar de olhos ela estar ali em meus braços.
Enfim, nasceu!
E me vi mãe de um serzinho pequenininho que dependia totalmente de mim. Nesse momento a
gente se faz forte, mesmo em meio às dores de uma cirurgia que fiz junto à cesárea e a dor ao
amamentar. Ahhhh essa dor! Jamais imaginei que aguentaria essa dor por alguém rs.
Eu estava ali, tão perdida, tão insegura, com tantas cobranças, embora houvesse buscado muitas
informações sobre a maternidade a realidade é outra. E, em meio à insegurança, era preciso
demonstrar total controle sobre tudo, pois são tantos palpites e opiniões  (muuuuuiiiitoooossss
mesmo) que era preciso focar naquilo que eu acreditava mesmo sem saber.
Mas é incrível, é um amor indescritível. A Helena tão pequena me ensinou a ser mãe, me ensina a
traduzir suas lágrimas para entender se é dor, sono, birra ou apenas quer um colinho. Me ensina o
poder de um abraço e me faz entender o quão importante eu sou.
Até aqui, falei sobre a mãe, mas por trás disso tudo existe a mulher. Ser tornar mãe foi fácil perto do
desafio que foi eu continuar sendo a mesma mulher.
Engordei 20kg na gravidez e sinceramente  não  tive crise sobre isso, sempre quis  ter um barrigão.
A Helena nasceu e eu realmente acreditava que todos os 20kg a mais iriam embora junto. Nos
primeiros 15 dias perdi 9 kg e quando já estava totalmente recuperada da cirurgia, comecei a
observar cada marca que essa fase havia deixado em mim e eu, que nunca  tive problemas com
alto estima, sempre me aceitei muito bem, comecei a me cobrar, me desvalorizar, me esconder em
todas as fotos, fugindo do foco (o que  era bem fácil,  pois  sempre dividia a foto com a Helena, que
é  de arrancar suspiros).
A primeira coisa que precisei superar foi a aceitação e confesso que não foi fácil. Mas esse não é o
primeiro e nem será  o último desafio pois, hoje, eu que era tão metódica, preciso toda hora
recalcular a rota já que ela ainda precisa muito, muito de mim. Com isso, decisões precisam ser
tomadas, por mais difíceis que sejam… como faltar na festinha de 1 aninho do filho da sua melhor
amiga, pois a Helena estava com  cólica,  não  ir comemorar o aniversário de uma amiga em um
lugar super maneiro porque lá  não  teria estrutura para um bebê, é faltar naquele click  com as
amigas porque está um dia chuvoso e a Helena resfriada, é tentar ser 1.000 em 1 pra conseguir
distrair a criança e prestar atenção no culto.
Ser mãe é MA-RA- VI-LHO- SO, mas é um desafio ser uma boa mãe e não se cobrar em ser a boa
mulher que sempre foi e continuar a fazer tudo que sempre fez.
Há quem diga que um filho não pode mudar sua rotina, suas tarefas e seu dia a dia e eu digo
“amiga, quero aprender e chegar nesse nível”! Mas, por enquanto, estou aqui, aprendendo a cada
dia, adaptando às novas rotinas, me anulando um pouquinho até encontrar a maneira, a nossa
maneira, de viver sendo uma ótima esposa, mãe, mulher, empresária, filha, amiga e ministra.
Espero que esse desabafo possa ajudar algumas mães a perceberam que no fim, estamos juntas
nessa. Aprendendo, superando, nos reinventando e amando loucamente nossos filhos da maneira
mais pura e sincera possível.

-Van Carvejani

Este post tem 3 comentários

  1. Mirian Scarcelli

    Deus nos fez assim, amor sobrenatural, amor incondicional, por isso fomos escolhidas (mulheres) para esse ministério(rsrsrs). Calcule então o tamanho do amor quando você se torna avó, tudo dobrado. Deus fantástico, maravilhoso.

  2. Anna Helena

    Sua linda!!!
    Estamos juntas na louca intensidade da maternidade!!!
    Você é uma ótima mãe e a Helena é abençoada!!
    Força pra nós!!

  3. Isabel Silvestre

    Me identifico com tudo que você escreveu.
    Quando você engravida, ganha uma ansiedade maior que o mundo e ao mesmo tempo não faz ideia do que vai acontecer depois.
    Ninguém te conta que da noite pro dia você vai ter um pacotinho mais lindo da vida mas que você vai passar as suas noites em claro, ninguém te conta que a insegurança e a auto-cobranca serão suas sempre companheiras, ninguém te conta que você vai se olhar no espelho e não vai se reconhecer e isso vai acabar com a sua auto estima, ninguém te conta que as olheiras e o coque serão parte de você, ninguém te conta que você não vai mais poder fazer o que quer, ninguém te conta que você vai sentir que não é mais você é que não vai voltar a ser, ninguém te conta que você vai se sentir sozinha, ninguém te conta que além da solidão você vai ter que lidar com os julgamentos e olhares de pessoas que não sabem o que você está passando, ninguém te conta que sua vida vai ser de eterna entrega e doação por alguém que depende completamente de você.
    Vem um amor louco que não cabe dentro do peito e você não consegue explicar, mas ao mesmo tempo essa bagunça inesperada em sua mente e emoções.
    Perdi tanto tempo olhando só para isso…
    Tudo isso é real, e precisamos falar sobre isso!!!
    Mas entendi que quando nossos olhos estão fixos somente no problema, este vira a nossa vida e nos paralisa por completo. Decidi então – sim, foi uma decisão – deixar de olhar e valorizar as coisas ruins dessa nova fase de adaptação, e viver meus dias pós-parto com alegria.
    Afinal, se eu tão pequena e falha sinto um amor desse tamanho pela minha filha, imagina o amor de Deus por mim!!!
    Cada dia é um dia, mas eu escolho viver ele da melhor maneira possível!

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